Socioambiental começa nova etapa do monitoramento aéreo de cetáceos na Bacia de Santos

A equipe da Socioambiental decolou terça-feira (12/02) para dar início à oitava Campanha de Avistagem Aérea do Projeto de Monitoramento de Cetáceos na Bacia de Santos (PMC-BS). Nos próximos dias, cinco pesquisadores estarão sobrevoando a Bacia de Santos observando e fazendo o registo fotográfico de baleias e golfinhos avistados. O objetivo é a coleta de dados para atender os objetivos do Projeto, de registro de espécies, abundância e época de ocorrência, atendendo assim às exigências do IBAMA para a exploração de petróleo pela Petrobras na região do pré sal na Bacia de Santos.

Fernando Roberto, Coordenador da Campanha Aérea, com um medidor de ângulo enquanto realiza a  avistagem

A campanha de sobrevôo é uma das atividades do PMC-BS. O objetivo dos pesquisadores é coletar informações sobre abundância de baleias e golfinhos na Bacia de Santos. “Realizamos a Campanha de sobrevôo percorrendo linhas perpendiculares ao comprimento da Bacia. Vasculhamos toda ela, vamos de baixo para cima, começando por Florianópolis (SC) e terminando em Cabo Frio (RJ)” explica Fernando Roberto, Coordenador da Campanha de Avistagem Aérea do PMC-BS.

Diariamente, os pesquisadores permanecem aproximadamente cinco horas no ar. Ao final da viagem, eles retornam à terra e pernoitam na cidade-base mais próxima da região sobrevoada. Em média, cada campanha tem duração de sete dias. “Esse tempo varia muito, depende das condições climáticas, tanto do vento como do mar” complementa Fernando Roberto.

Sobre o Projeto:

O PMC-BS vem sendo executado desde julho de 2015, tendo completado 3 anos de atividade em julho de 2018. Até 2021 terá colhido dados ao longo de 6 anos para estabelecer as diretrizes para o monitoramento dos cetáceos no longo prazo (durante toda a exploração do Pré-sal – cerca de 30 anos).

Marcia Hengel na primeira transecção (linha) da Campanha

A coleta de dados durante os 6 primeiros anos da exploração do Pré-sal visa conhecer melhor os animais que ocorrem na região e identificar interferências que eventualmente já estejam ocorrendo sobre as populações de baleias e golfinhos, permitindo avaliar possíveis impactos, seja das atividades de exploração de petróleo e gás ou de outras atividades humanas, como transporte marítimo e pesca.

O projeto utiliza vários métodos para buscar conhecer as populações de golfinhos e baleias: transecções lineares (Distance sampling) em campanhas de avistagem embarcada e aérea para registro das espécies e contagem de indivíduos, estimativa de abundância e distribuição, seja a partir de barco ou de avião; Monitoramento Acústico Passivo (MAP) para gravação e identificação de sons de baleias e golfinhos; marcação com transmissores satelitais fixados nos animais com pequenas âncoras; e transmissores arquivais que emitem sinal via rádio-transmissores (DTags e Cats que se fixam por meio de copos de sucção). Esses transmissores buscam coletar dados de deslocamento e consequentemente informações sobre a distribuição, a migração e o uso dos ambientes pelas espécies;

Nas campanhas embarcadas são coletadas biópsias (pequenos pedaços de pele e gordura) para análises genéticas e de contaminantes/biomarcadores; e fotos para registros de foto-identificação dos animais, seja para a identificação individual dos animais ou para a identificação de doenças e lesões na pele.

Fernando Roberto, Matheus Caiaffa, Carolina Bezemat, Márcia Hangel, Ana Kássia Moraes, Guilherme Hoeller e Leandro Motta Ruda (esquerda para direita)

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