Se estivesse vivo, certamente Fritz Plaumann, o lituano que se mudou para Santa Catarina em 1924 e durante 70 anos de estudo em botânica e entomologia descobriu 1500 espécies de insetos, estaria orgulhoso em saber que um Parque Estadual foi batizado com seu nome. E mais orgulhoso ainda em saber que é uma referência nacional em gestão compartilhada entre o órgão ambiental e um grupo formado pela própria população local. Estamos falando do Parque Estadual Fritz Plaumann em Concórdia, SC, gerido entre o IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina) e a ECOPEF (Equipe Co-Gestora do Parque Estadual Fritz Plaumann), uma OSCIP (Sociedade Civil de Interesse Público) criada em 2007 com a finalidade de participar dos cuidados e administração do Parque. Nesses 12 anos de existência, conquistou premiações concedidas pelo Ministério do Turismo, a Câmara de Comércio Americana e do próprio IMA, por exemplo.

Em uma das trilhas, a ponte em palafita sobre a área alagada do rio dos Queimados (Reservatório UHE Itá) (Foto: Equipe ECOPEF)

Este sucesso é resultado de muito comprometimento e dedicação com o trabalho. Mas também há uma história por trás que nos ajuda a entender estes resultados.

Tamanduá-mirin (Tamandua tetradactyla) (Foto: Equipe ECOPEF)

O Parque Estadual Flitz Plaumann foi criado através do Decreto Estadual nº 797, de 24 de setembro de 200. É a primeira e única Unidade de Conservação de proteção integral do estado de Santa Catarina a preservar remanescentes da Floresta Estacional Decidual – Floresta do Alto Uruguai. Ele está localizado na comunidade de Sede Brum, no município de Concórdia e tem 741 hectares. 

Como tudo começou:

Sua criação está relacionada com a construção da Usina Hidrelétrica Itá, no rio Uruguai, empreendimento da Engie Energia (na época, Tractebel Energia). Como compensação ambiental pelos impactos decorrentes da construção da Usina, a empresa adquiriu os 741 hectares e viabilizou a elaboração do Plano de Manejo do Parque, desenvolvido pela Socioambiental.

Sapo martelo (Hypsiboas faber) (Foto: Equipe ECOPEF)

Vencida as duas primeiras etapas, o próximo desafio seria a gestão do parque. Foi então que a Socioambiental lançou a ideia inovadora de incentivar a criação de um grupo formado pela população local para a co-gestão do Parque, com objetivo de fortalecer o sentimento de pertencimento da comunidade pela Unidade de Conservação. A ideia foi levada para a FATMA (atual IMA), que apoiou o projeto. 

 

Macaco-prego (Sapajus nigritus) (Foto: Equipe ECOPEF)

Para isso, foi necessário um processo de incubação conduzido pela Socioambiental ao longo de dois anos. Foi constituída uma OSCIP com o propósito específico de desenvolver estrutura e condições de sustentabilidade à Unidade de Conservação. Foram capacitados profissionais locais para desempenhar papéis técnicos e gerenciais voltados à Organização e ao Parque. Pensando na viabilidade financeira da OSCIP, a equipe em formação recebeu apoio para elaborar projetos de captação de recursos. O processo de incubação culminou com a criação da ECOPEF em 2007, que faz a co-gestão do Parque junto com o IMA.

As trilhas guiadas com ótima infraestrutura permitem que pessoas de qualquer idade se aventurem pela floresta, e fazem do Parque referência em educação ambiental. O principal público que visita são escolas, que levam seus estudantes para uma aula na prática.  Já foram registradas 232 espécies de aves, 25 espécies de mamíferos de grande e médio porte e 35 espécies de répteis e anfíbios, muitos deles ameaçados de extinção,

As visitas acontecem de quarta a domingo com entrada gratuita.

 

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