A equipe da Socioambiental descobriu na pele porque o Exército brasileiro precisou de quatro expedições para derrotar os sertanejos liderados por Antônio Conselheiro na Guerra de Canudos. A geografia da região é um desafio para qualquer forasteiro. O sertão baiano é marcado pela escassez e distribuição irregular de chuva, que causam secas prolongadas, como descreve com precisão Euclides da Cunha em seu livro “Os Sertões”, que narra o conflito do início do século passado. Os técnicos da Socioambiental, na busca por nascentes de rios, primeiramente recorreram ao uso  de equipamentos modernos como drones e GPS. Porém, somente com o apoio de um guia local foi possível explorar a região de Umburanas (localidade a aproximadamente 300 km de Canudos) e realizar o Monitoramento da Qualidade de Água, atendendo o Plano Básico Ambiental (PBA) do Complexo Eólico de Umburanas, empreendimento da Engie Energia.

Nesta paisagem seca e deslumbrante, a equipe da Socioambiental tentou primeiro o GPS para se localizar no Sertão baiano

Nivaltino da Gama Miranda, 39 anos, morador e nascido na comunidade de Barriguda Aníbal, localidade de Umburanas, conhece a região como poucos e por isso auxiliou a equipe da Socioambiental como guia na busca por nascentes. O sertão baiano passa por longos períodos de estiagem nos quais a identificação de recursos hídricos é uma tarefa quase impossível para quem não conhece o local. Esta escassez faz com que os moradores conheçam muito bem onde encontrar água.

Nivaltino da Gama Miranda conhece toda Umburanas

Mesmo assim, não é algo simples, porque as condições não são as mesmas com o passar dos anos. Nivaltino Miranda conta que há 15 anos a região era bem diferente, havia muitos riachos e a água se bebia diretamente deles. “Meus avós já são falecidos, mas eles diziam que os poços da terra eram fortes”.

A pior seca que a região passou foi em 2011 quando ficou 11 meses sem chuva, conta Nivaltino Miranda. Desde então, períodos de sete, nove e até dez meses de estiagem são regulares. Por isso, desde 2015 o Exército tem abastecido a região a cada 20 dias nos períodos de seca. “O apoio deles é importante, mas nós não estamos acostumado com água com cloro. A do rio e da chuva é mais pura” complementa o guia.

Em outubro do ano passado, a Defesa Civil reconheceu situação de emergência em Umburanas e mais 145 municípios da Bahia por causa da seca.

No entanto, os último meses foram mais favoráveis. Desde o final de outubro, a região vem passando por um longo período de chuvas que está sendo capaz de alterar a paisagem. A equipe da Socioambiental esteve em campanha no começo de fevereiro e constatou uma nítida diferença visual em relação às duas primeiras campanhas realizadas em fevereiro e agosto de 2018. “De 30 de novembro a 9 de dezembro, foi só chuva!” comemora Nivaltino Miranda.

O Programa de Preservação e Monitoramento de Recursos Hídricos

Trabalho de Monitoramento

O objetivo do Programa é a garantia da manutenção, da qualidade e quantidade de abastecimento de água na região, que compreende riachos, cabeceiras e nascentes.A Socioambiental também foi a responsável pelo estudo de Monitoramento de Ruídos e o Programa de Educação Ambiental e em Saúde, realizado em quatro comunidades da região. Estes trabalhos atendem às condicionantes estabelecidas no Plano Básico Ambiental do Complexo Eólico Umburanas e a Linha de Transmissão Associada. O empreendimento teve como órgão licenciador o INEMA (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia)

Sobre o empreendimento

O Complexo Eólico Umburanas teve sua primeira autorização de operação comercial no dia 4 de janeiro deste ano. A ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) permitiu que nove dos 144 aerogeradores entrassem em funcionamento. No momento, 83% do empreendimento está concluído e a previsão é que em abril esteja finalizado. Serão 360 Megawatts (MW) de capacidade instalada. (Informações retiradas do site da Engie Energia)

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